
Seguindo a tradição sincretista, usada pelos escravos para a preservação de seus assentamentos e totens, nosso calendário de festas acompanha, em primeiro lugar, o dia do Santo católico em sincretismo ao Mikisi e, em segundo lugar, a fase lunar dentro do mês:
Todas as festas e oferendas feitas em nossa Casa são realizadas na Lua Cheia com exceção às de Pambujila e Mavalutango que são realizadas no mesmo mês da de Tatetu Loango sendo esta preferencialmente na Lua Cheia, e a em homenagem à Mametu Zumbá que é realizada preferencialmente na Lua Nova.
Agrupamos a homenagem aos Mikisi no sábado de Lua Cheia do mês dos Santos, como por exemplo: Tatetu Katendê , no dia 12 de janeiro e Tatetu Nkongobila no dia 20 de janeiro, são homenageados no sábado de Lua Cheia do mês de janeiro. Nos demais sábados, são conduzidas reuniões de palestras, ensinamentos e, principalmente, de caridade.
Sincretismo – Aurélio Buarque de Holanda Ferreira define como: Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originários.
Os escravos, todas as vezes que erigiam um totem ou um assentamento aos seus Santos de devoção, os viam destruídos pelos “seus senhores” com a exclamação de “ser coisa do diabo”. Como burros eles não eram, passaram a colocar sobre os mesmos imagens de Santos católicos que ligaram aos Mikisi ou Orixás através da observação. Toda vez que estourava um raio no céu, os portugueses exclamavam “Minha Santa Bárbara!”, Mametu Matamba é a Senhora dos Raios, e assim sucessivamente, logrando enganar os “sábios senhores”.