
Começo minha explanação com uma frase dita por Mateus Luis do Instituto Nacional do Desenvolvimento da Educação de Moçambique:
“A minha esposa é da província de Inhambane e fala língua materna bantu. Eu sou da província de Gaza e falo língua materna bantu. Os nossos filhos não têm língua materna, só falam português”.
A língua oficial, vernácula, veicular e literária de Angola é o português .
José Quipungo, teólogo angolano, em 1987, classificou treze comunidades etnolinguísticas e as relacionou como segue:
bakongo - kikongo
helelo - tchielelo
ambundu - kimbundu
lunda - tchokwe
ovimbundu - umbundu
ngangela - tchingangela
nyaneka - olunyaneka
ambo - tchikwanyama
donga - xindonga
baluba - tchiluba
ovakwvisi
ovakwepe
kung
Tomarei como referência a língua utilizada pelos Ancestrais do Kakongo o kikongo (também conhecida como kikoongo, congo, kongo e cabinda), língua falada no antigo reino do Kongo.
A área lingüística do kikongo ocupa as províncias de Cabinda, Zaire e Uíge e estende-se por todo o sudoeste da República do Congo, de Brazzaville, Boko e Ponta Negra até o Cabo Lopes no Gabão; na República Democrática do Congo compreende toda a região do Baixo Zaire e uma parte da Região do Bandundu.
Só em Angola existem mais de dez dialetos diferentes do kikongo: Bampeemba, Basoloongo, Bawendo, Bambamba, Bazoombo, iwóyo, ikuákongo, ikóchi, ilínji, etc.
Estudiosos cabindenses, há cerca de trinta a quarenta anos, estão tentando dar a denominação de Ibinda à língua falada naquela província.
As línguas maternas de maior expressão em Angola atualmente são seis: o kikongo, o kimbundu, o tchokwe, o umbundu, o mbunda e o kwanyama e, ainda, a língua falada pelos bosquímanos e hotentotes (povos não bantu) que é o khoisan.
O conhecido angologista Carlos Estermann, no I Encontro de Escritores de Angola, referindo-se à cultura dos povos bantu disse que:
“A perspectiva para a literatura oral nativa não é muito animadora. Em um futuro próximo os povos deste continente, pois falo não somente da região que ocupamos, mas sim de toda a África Negra, vão ser privados do instrumento tradicional de sua expressão. Isto é o que encontramos por toda a parte”.
Ele se referia, então, à “estrangeirização” das línguas maternas.
Aguinaldo Cristóvão, escritor e jornalista, diretor do Jornal de Angola, nascido em Uíge , num meio kikongo , disse, em uma entrevista que “é mínimo o conhecimento que tenho da minha língua materna...” .
Este é o motivo principal para meu questionamento aos meus queridos irmãos, de todas as nações de Angola, quando querem resgatar, não conhecimentos, lendas, estórias e folclores, mas tradições. Se a língua bantu sofreu, no passar dos séculos, tantas modificações, como confiar no que é dito hoje?
Tata ria Nkisi Nkuikidí uá Nzazi.